Quinta-feira, 8 de Março de 2007

Para recordar

Durante as nossas vidas, temos momentos marcantes, que podem ser positivos ou negativos, bons ou maus, que nos marcam de uma forma profunda e para sempre e que lutam ambos para, em cada momento, disputarem uma posição cimeira nas nossas mentes e que são impossíveis de apagar das nossas memórias.

Ora, eles conseguem essa posição cimeira independentemente do nosso estado de espírito. Podemos até estar a viver um momento de grande euforia e de repente saltam--nos à memória momentos negativos e acontece, também, em momentos de tristeza, mesmo que profunda, saltarem-nos à memória momentos de grande prazer que tenhamos vivido.

Bom, meus caros amigos, são estes momentos de balanço que permitem um grande equilíbrio do nosso ser, porque seria impossível viver só de momentos bons, tal como seria igualmente impossível viver só de momentos maus.

No entanto, quando somos emigrantes e os nossos entes queridos se encontram a milhares de quilómetros de distância e ocorrem situações dramáticas que nos levam a meditar de uma forma profunda, esse equilíbrio torna-se fundamental para nos lembrarmos de quem somos, quais são as nossas verdadeiras origens e qual o rumo que devemos manter.

Todo este intróito, tem como pano de fundo contar-vos uma história real que vivi em 2005, precisamente no dia 31 de Agosto, data que jamais esquecerei.

A minha irmã mais nova Cesaltina, dos 14 irmãos, era a minha preferida, com quem partilhei as brincadeiras de criança e tínhamos uma excelente relação. Esteve internada no Hospital de Bissau com problemas de saúde, coisa de pouca importância para os países europeus, mas que em África pode muitas vezes representar perigo de vida. Falei com ela no dia 30, estava em casa e sentia-se bem.

Às 14 horas desse dia 31, último para a inscrição de jogadores profissionais de futebol, com 4 processos em mãos, fui informado via telefone que a minha irmã acabara de falecer. Foi tremendo o choque e a distância inultrapassável. Não tinha sequer hipóteses de assistir ao funeral. Foi o dia mais difícil da minha vida e senti um vazio e uma angústia enormes. Foi como se o mundo tivesse desabado a meus pés. Mas a outra realidade chamava por mim: tinha que continuar a minha luta, tinha que cumprir o meu dever profissional e apresentar os processos de inscrições na Liga sem falhas. Como é que se gere, nestas alturas, as emoções? À primeira vista parece impossível, mas Deus deu-nos capacidades que só entendemos quando as dificuldades e os problemas nos batem à porta e é como se tivéssemos duas personalidades dentro de um corpo, é como se fosse as duas faces da mesma moeda.

A turbulência e a onda de emoções tomaram conta de mim e parti em direcção à cidade do Porto. Senti uma grande revolta e não contive as lágrimas.

Acreditem que nestas alturas uma palavra amiga e um abraço, embora não resolvam o problema nem tragam de volta as pessoas que amamos, representam muito e ajudam ao reequilíbrio emocional. Ao chegar à Liga Portuguesa de Futebol Profissional, na cidade do Porto, foi precisamente o que aconteceu.
publicado por bebianogomes às 09:10
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3 comentários:
De donaiana a 8 de Março de 2007 às 23:57
E julgava me eu tua AMIGA
So hoje e apos ler este teu emociante post soube da tristeza que viveste em Agosto passado
Como é possivel que durante estes 6 meses tu nunca tenhas falado deste assunto? E a Fata tb não!!
Sei que em nada aliviaria o teu desgosto, mas acredita que a tal palavra amiga a que te referes (embora tivesse sido por tef pois estava em Setubal nessa altura) teres tido....
Todos os teus posts teem o condão de me surpreender( pela Positiva claro!!)e fico cada vez mais FÃN do nosso" preto feio"
Beijos pra os 3 da vossa amiga
Paula


De bebianogomes a 9 de Março de 2007 às 14:46
Cara amiga
Sabes muito bem que sou uma pessoa tímida.
Escrevo mais facilmente do que falo destas situações. De qualquer forma sei muito bem com quem posso contar.
Beijinhos de toda a família.


De jorge amaral a 11 de Março de 2007 às 18:53
A donaiana esqueçeu-se que não são só 6 meses , são 18 meses, de todas as formas nunca estamos preparados para estas coisas, mas sabemos que elas acontecem e cada vez mais com maior assiduidade , embora hoje em dia as condiçoes sejam melhores, mas a vida e muito mais complicada. Por isso chuta para a frente que és defesa e vamos a eles que nem TARZÕES, é isso que a vida nos ensina e nos convida a fazer.. abração


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