Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

A minha primeira entrevista !

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Amante da natureza, sensível aos problemas sociais, mas optimista, o nosso presidente, Dr. Vítor Leite, diz-nos para acreditarmos e termos atitude para atingirmos os nossos objectivos!

 

 

Micaela: Na sua experiência, quais são os factores que contribuem para o insucesso escolar?

 

Dr. Vítor: Uma falta de adaptação dos programas aos alunos, e, às vezes, uma falta de motivação, porque não correspondem as expectativas àquilo que os alunos esperam e aquilo que encontram, quando seguem a formação a que aspiraram. Mas, penso que, neste momento, há passos muito importantes para diminuir o insucesso escolar e com sucessos já muito visíveis, quer no ensino básico, quer no ensino secundário, tendo em conta aquilo que aconteceria em primeiro lugar, que é, no ensino básico, a formação dos processos, isto é currículos tratados mais de acordo com o perfil da pessoa, já que, até agora, havia só os currículos comuns, que serviam para a maioria das pessoas, mas, quem não se enquadrasse naquele padrão de formação ou nível de motivação, estaria, à partida, excluído – se calhar, pessoas, com muitas competências para outras áreas, e que estavam desaproveitadas,  já que não se encaixavam no perfil do aluno médio daquele padrão normal; no ensino secundário, com a formação nos cursos profissionais, que abre outras perspectivas a alunos com currículos mais virados para aqueles cursos que não têm grande saída, mas que com orientações específicas em termos de formação com componente mais prática ou mais motivante para esses alunos, mais viradas para o mercado de trabalho e usar esses caminhos e mostra-se já, quer no básico, quer no secundário, uma diferença significativa nos níveis de insucesso. Nós tínhamos sempre cerca de 25% de alunos que reprovavam no 10º ano, devido a um impacto muito grande na passagem do 9º para o 10º e agora temos, pela primeira vez, um número de turmas de 11º exactamente igual ao número de turmas que tínhamos no 10º.

Acho, então, que os factores que levariam ao insucesso estão a ser contornados, por termos um ensino mais virado para o perfil dos alunos.

 

M: E acha que as novas tecnologias podem ajudar a aumentar o entusiasmo no ensino?

 

DV: As novas tecnologias são um mecanismo muito poderoso, quer em motivação, quer em recursos que as pessoas, de outro modo, não teriam. Sem dúvida que têm, nalguns casos, efeitos muito apelativos e motivadores, mas, por si só, não o são. Por exemplo, o retroprojector, quando apareceu, também era uma inovação e, eu costumo chamar ao retroprojector, quando usado em excesso nas aulas, um “motivador do sono”, porque, após algum tempo, quem está ali, já não tem paciência e, estando num ambiente com menos luz do que o normal, numa aula dada com as novas tecnologias pode acontecer o mesmo. Portanto, seja uma aula dada com um computador, ou um retroprojector, se não for suportada por trás por algo que já antes havia, que seja minimamente motivador, não resulta nas aulas e estas inovações podem ser fontes inesgotáveis de recursos para o trabalho, mas também são recursos para a distracção, para a conversa. Têm um potencial enorme, mas requerem, sobretudo, uma boa orientação. Só por si, não é suficiente.

 

M: O que pensa sobre os novos valores e conceitos dos jovens de hoje em relação ao mundo e ao futuro?

 

DV: Houve alturas em os valores dos jovens foram preocupantes. Creio que hoje estão muito mais virados para a solidariedade, para a responsabilidade colectiva do ambiente, dos direitos humanos… Acho que, nesse aspecto, estão melhores. No que diz respeito à nossa escola, devo dizer que me sinto muito orgulhoso dos alunos que temos, porque não se vê daqueles casos de indisciplina, que quase não se pode estar na escola, na sala de aula. Há pequenos atritos, vai sempre houve e vai haver, mas não é caso de um aluno entrar na escola e não se sentir bem e penso que isso resulta de tudo o que se refira a valores relacionados com o respeito, à valorização do ser humano e da vivência em sociedade e tenho-me apercebido, não só na nossa escola, mas também noutros estabelecimentos de ensino, que os jovens estão mais atentos aos outros, não há discriminação. Temos cá alguns alunos que são de outros países e eles passam completamente despercebidos, ninguém os distingue ou faz reparos. Há uns anos atrás, havia muito mais egoísmo, os jovens eram muito mais virados para si próprios, o que era preocupante. Hoje, acho que isso não acontece, é pontual, quer aqui, quer na maior parte das escolas públicas. Há algumas zonas onde ainda se nota uma formação dos jovens com uma educação preocupante, mas em termos gerais, isso tem mudado muito.

 

M: Concorda quando se diz que a nova geração é uma geração canguru?

 

DV: Acho que sempre foi assim para alguns e hoje, por várias circunstâncias, é muito mais fácil manter essa relação pela vida fora, do que a emancipação ou a autonomia mais cedo. Antigamente, casando-se aos vinte anos, as pessoas saíam de casa e iam trabalhar. Actualmente, casam aos trinta, porque tiram um curso superior, mais um mestrado e, portanto, acabam por ficar mais tempo dependentes da família. Os pais de hoje, também não são como os pais de há uns anos atrás, a relação que mantêm com os filhos não igual; alguém que vá trabalhar para Lisboa, pode vir a casa aos fins-de-semana, enquanto que antes teria de ficar fora de casa durante um mês, os pais sentem que têm de ajudar, os filhos têm de ser ajudados, mas isso não retira uma capacidade de autonomia integração na sociedade, com projectos, com ideias, como noutros tempos. E esta dependência durante mais tempo parece-me um processo normal dentro da sociedade que durante mais tempo obriga à dependência económica, devido à formação que é exigida.

M: Qual o problema social que mais o preocupa?

 

DV: Eu diria que a falta de atenção para com a terceira idade. Desvalorizamos muito estas pessoas que têm imenso valor, têm uma experiência de vida acumulada e muito para dar!

Deixamo-las muito entregues a si próprias e não existe nenhuma política, nenhuma postura social de integração e estas pessoas ficam muito sozinhas, como se não servissem para nada e muitas vezes têm um potencial enorme para dar.    Eu sempre disse que o meu ideal de escola, em termos sociais, seria uma escola onde houvesse desde o infantário até ao décimo segundo ano e onde houvesse um espaço para a terceira idade, que não se chamaria “Lar” para não confundir com os tradicionais lares, onde estas pessoas poderiam fazer um acompanhamento desses jovens, fazer trabalhos de limpezas, na acção educativa, de apoio, como muitas vezes nos apoiam os avós, mas seria um apoio não familiar e estaríamos, assim, a lutar contra a exclusão social.

 

M: Gostaria de saber, se for possível, como gosta de ocupar os seus tempos livres.

 

DV: Os meus tempos livres?! Hum. São dedicados ao ar livre, nomeadamente à jardinagem, gosto de passear… tudo o que seja ao ar livre, jogar futebol, portanto, desporto, mas, essencialmente, passo mais tempo junto à natureza, que me relaxa muito e me dá muito prazer.

 

M: Que tipo de música gosta de ouvir?

 

DV: Gosto particularmente de música brasileira, pela melodia e pela forma poética como eles põe as coisas simples, para além de uma parte significativa da música portuguesa.

 

M: E de cinema, gosta?

 

DV: De cinema… gosto!

 

M: Qual o seu filme favorito?

DV: “Voando Sobre Um Ninho De Cocos”, já tem muitos anos e é sobre uma casa de doentes mentais. Gosto, porque me marcou, pela mensagem e pela forma como eu a interiorizei.

 

M: De que tipo de leitura mais aprecia?

 

DV: Não tenho nenhum perfil de leitura definido, mas aquilo de que mais gosto tem a ver com problemas sociais, documentários e reportagens históricas. Sabendo que os meios eram escassos, intriga-me a capacidade de alimentar aqueles exércitos e toda a logística relacionada.

 

M: Há alguma frase ou pensamento com mais significado para si?

DV: (Risos) Tenho alguns que me marcaram, que mudaram a minha atitude perante a vida, que me ajudam muito e que uso, de vez em quando, para mim próprio, conforme a situação. Gosto especialmente da frase: “todos dizem violento o rio, mas ninguém diz violentas as margens que o oprimem”, e normalmente só vemos uma parte e como há sempre duas partes, devemos vê-las sempre às duas para podermos entender, isto é, nunca escolham só com uma cor, escolham sempre com mais do que uma, porque as pessoas são todas diferentes, e este é, talvez, o meu lema preferido.

 

M: Para finalizar, que mensagem gostaria de deixar para a comunidade escolar?

 

DV: Que acredite! Essencialmente, que acredite!

            Se acreditar e tiver atitude, consegue aquilo que quer.

            Acredite! Tenha atitude e conseguirá aquilo que quer!

 

 

MicaelaGomes

sinto-me: Eufórica
música: Grace Kelly
publicado por bebianogomes às 15:07
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